Desculpe se pareço distante,
perdoe a distração,
o olhar alheio...
(não há atenção que resista
ao chamado dos seus seios)
10 de dez. de 2010
7 de dez. de 2010
Taras
Inventa-me, amor, uma tara sem par.
Desvenda o universo das parafilias.
Revira grimórios, estelas, papiros,
revela em antigos mistérios e ritos
fetiches quaisquer que a nós dois enfeiticem
(é que o amor, meu amor, quase a tudo resiste,
mas não à armadilha fatal da mesmice).
Desvenda o universo das parafilias.
Revira grimórios, estelas, papiros,
revela em antigos mistérios e ritos
fetiches quaisquer que a nós dois enfeiticem
(é que o amor, meu amor, quase a tudo resiste,
mas não à armadilha fatal da mesmice).
6 de dez. de 2010
Toponímia
Pauliceias, São Paulos e Sampas
as há aos milhares, milhões.
A minha é a mais suja e a mais pura;
a um só tempo é a mais rude e a mais santa.
A minha São Paulo é a mais linda
e atende, pagã e profana,
apenas por Piratininga.
as há aos milhares, milhões.
A minha é a mais suja e a mais pura;
a um só tempo é a mais rude e a mais santa.
A minha São Paulo é a mais linda
e atende, pagã e profana,
apenas por Piratininga.
2 de dez. de 2010
Da Temática
Desde que a gente é gente,
desde que o mundo é mundo,
só tem importância um tema,
um só assunto interessa.
O resto? Ora, o resto!
São coisas que a gente inventa
pra ajudar a passar o tempo em que não dá pra fazer sexo.
desde que o mundo é mundo,
só tem importância um tema,
um só assunto interessa.
O resto? Ora, o resto!
São coisas que a gente inventa
pra ajudar a passar o tempo em que não dá pra fazer sexo.
26 de nov. de 2010
Cana
Que pensaram as araras,
divisando ao longe as naus
naquele dia de abril?
Que terão pensado as onças,
as tainhas e os saguis
quando os botes do homem branco
vieram dar ao litoral?
Teriam previsto o destino?
Teriam sentido que ali
começava a impor-se a ordem?
Quem sabe se anteviram o final
escrito nas entrelinhas
das mensagens de Cabral
e da carta de Caminha?
Se pressentiram o fim do caos,
do caos darwinista,
do caos colorido,
do caos tropical?
Terão percebido, aquele dia,
que logo, bem logo veriam,
no lugar do Santo Caos,
monocultura, monotonia?
divisando ao longe as naus
naquele dia de abril?
Que terão pensado as onças,
as tainhas e os saguis
quando os botes do homem branco
vieram dar ao litoral?
Teriam previsto o destino?
Teriam sentido que ali
começava a impor-se a ordem?
Quem sabe se anteviram o final
escrito nas entrelinhas
das mensagens de Cabral
e da carta de Caminha?
Se pressentiram o fim do caos,
do caos darwinista,
do caos colorido,
do caos tropical?
Terão percebido, aquele dia,
que logo, bem logo veriam,
no lugar do Santo Caos,
monocultura, monotonia?
22 de nov. de 2010
Busca
Busco sem sucesso,
mas insisto e não descanso
enquanto a busca não tenha fim:
em algum lugar desse deserto branco,
vinte e uma polegadas, wide-screen,
a musa se esconde entre pixels,
dá risada e faz pouco de mim.
mas insisto e não descanso
enquanto a busca não tenha fim:
em algum lugar desse deserto branco,
vinte e uma polegadas, wide-screen,
a musa se esconde entre pixels,
dá risada e faz pouco de mim.
21 de nov. de 2010
Aterro Sanitário
Entre os dejetos e os descartes
(Darwin ou Lavoisier?),
no meio daquilo que ninguém quer
bem no meio, ali,
daquilo que seria um hodierno sambaqui,
o mais banal dos embates.
Cravam as presas pequeninas,
arrastam garras e dentes
nas carnes do oponente,
dois ratos e uma criança com fome.
Quem ganhar come.
(Darwin ou Lavoisier?),
no meio daquilo que ninguém quer
bem no meio, ali,
daquilo que seria um hodierno sambaqui,
o mais banal dos embates.
Cravam as presas pequeninas,
arrastam garras e dentes
nas carnes do oponente,
dois ratos e uma criança com fome.
Quem ganhar come.
18 de nov. de 2010
Skyline
Silhueta geométrica
contra o fogo do poente.
Um perfil em tons de cinza
sobre fundo incandescente.
Um retrato da cidade –
sucessão interminável
de estantes de guardar gente.
contra o fogo do poente.
Um perfil em tons de cinza
sobre fundo incandescente.
Um retrato da cidade –
sucessão interminável
de estantes de guardar gente.
5 de nov. de 2010
4 de nov. de 2010
Alzheimer
Além das rachaduras da fachada.
Além dos portões,
do ranger das dobradiças,
depois do hall de entrada:
o velho salão.
Que é feito das festas
onde hoje há só teias e traças?
Onde hoje poeira e luz baça,
outrora boleros,
outrora foxtrotes e valsas.
Que é do rodar de vestidos?
Dos tules e tafetás?
Das risadas dos convivas?
Nada resta no velho salão
a não ser a vaga memória
daquilo que foi um dia:
o centro da casa em ruínas.
No meio do assoalho,
uma joia esquecida
brilha de vez em quando
sob a luz das claraboias,
e o salão se lembra e chora.
Além dos portões,
do ranger das dobradiças,
depois do hall de entrada:
o velho salão.
Que é feito das festas
onde hoje há só teias e traças?
Onde hoje poeira e luz baça,
outrora boleros,
outrora foxtrotes e valsas.
Que é do rodar de vestidos?
Dos tules e tafetás?
Das risadas dos convivas?
Nada resta no velho salão
a não ser a vaga memória
daquilo que foi um dia:
o centro da casa em ruínas.
No meio do assoalho,
uma joia esquecida
brilha de vez em quando
sob a luz das claraboias,
e o salão se lembra e chora.
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