28 de mai de 2010

Tapeçaria

Entrelaçados,
tu, a trama,
eu, urdidura.
Quase um quadro
tendo a cama por moldura.

Acalanto

Um mundo puro e sem males,
vicissitudes
e defeitos
que resume-se ao teu peito.

Universo sem segredos,
sem temores,
sem receios
que encontro entre teus seios.

Um cosmo livre de erros,
e de culpa,
e de dolo:
aninhado no teu colo.

27 de mai de 2010

Dicotomia

Tu me exibes cada curva da tua bunda
e te entregas, submetes-te de quatro
e, ao fitar-te assim, mais uma vez constato
em teu corpo a candura mais profunda.

Se, molhada, tu me imploras que te foda
e abres, louca para dar, as tuas pernas,
tenho em ti a minha amada doce e terna
e sei bem que mesmo então és pura, toda.

Quando como essa boceta que ofereces,
As palavras mais imundas que proferes
– e que raro ouvi dizer outras mulheres –
são mais santas que a mais casta e pia prece.

Tu me pedes que te chame de cachorra
e com isso o que te digo é que és amada:
ter-te-ei eternamente imaculada,
por mais que a tua boca cheire a porra.

Tu me juras, ao me dar, ser minha puta
e proclamas sem pudor ser eu teu dono.
Mas contemplo teu semblante, após, em sono
e te sei, dentre as mulheres, impoluta.

25 de mai de 2010

Dúvida

Trabalhando num texto,
fiquei matutando:
"dátilo" é dátilo
e "anapesto" é anapesto.
Mas não entendo o porquê
de "troqueu" ser iambo
e "iambo", troqueu.