9 de mar de 2013

Usura


Se é uma costela que devo,
Aqui a tens. É tua.
Dou por liquidada a fatura.
Não basta a costela?
Não será o suficiente?
Leva duas.
Leva, também,
Este rádio, esta fíbula,
A mandíbula, os dentes.
Leva-me todo o esqueleto.
Que cada osso se aguçe,
Vire lâmina, estilete,
Rompa a carne macia,
A pele sutil, e perfure
Seu caminho até a saída.
Leva contigo essa ossada,
Tudo que há em mim de rígido e duro.
Tens duzentos e seis ossos aqui:
Agora há de ser o bastante
Para quitar o principal e os juros
E, se houver, multa de mora
Desse empréstimo que nunca pedi.

Um comentário:

Anderson H disse...

Muito bom! Gostei do trabalho.