15 de jul de 2010

Tempo

Eterna dança de roda,
um baile estático e mudo,
uma ciranda de rocha.
As pedras dançam sem pressa
e giram junto com o mundo
(seu tempo se conta em eras).

Canta como dança a pedra:
pra si e não para a gente.
A voz da pedra é interna,
sua cantiga é silente.
Antes cantasse mais alto
e desse a quem ouvisse
a voz que vem do basalto
lição, ainda que triste:

"O construtor, sendo humano,
é breve, mortal, finito
(seu tempo se conta em anos,
não é o tempo do granito).
E finda a vida nada sobra
a não ser, talvez, a obra."

5 comentários:

Dhenova disse...

A dança de roda do mundo, a pedra que marca o caminho e a obra que fica... bom demais! Parabéns.

Flá Perez (BláBlá) disse...

UAU!

Andreia Hernandes disse...

Ótimo texto, como sempre, Allan.

Abraço,
A.

liz disse...

Mto bom, A! Sotonehenge, por certo.

Pedro Melo disse...

oi allan
maravilha de escritas!
poxa to sem pc mas assim que voltar vou mandar aquele texto do meu blog pro ppp e vou aproveitar e fazer outro tbm...agradeço a força e o feedback...grande abraço e valeu d+