31 de out de 2010

Gás

Talvez um poema lhe saia do peito,
Talvez venha a nós, outrossim, do intestino.
Pra mim, o poema biscoito mais fino
É o tal que se faz, não aquele que é feito.

E assim lhe respondo, contesto-lhe o pleito:
Não pode um poema, lhe indago, menino,
Fazer-se por si, prescindir raciocínio,
Nascer como espirro, um arroto ou um peido?

Não pode um poema fazer-se, de fato?
Vir não da cabeça, mas sim das entranhas?
Fazer-se espontâneo, sem truques nem manhas,
Qual faz-se uma bufa, ou um traque, ou um flato?

Nos vir por acaso, acidente, de chofre,
Malgrado o aroma de alho ou de enxofre?

3 comentários:

Flá Perez (BláBlá) disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Cel Bentin disse...

É nesses eventos em que se confirma a poesia curativa medicamentosa: atroveram se torna potente licença poética - quase que um anabolizante! rs

curti

Betty/liz disse...

Bárbaro... lição para os defensores da transpiração como método para fazer um poema.