25 de mar de 2009

Lá e cá

O boteco da esquina aluga a laje pro povo fazer festa. Em dia de futebol é um inferno. E dia sim, dia sim, é dia de festa de futebol. Gritos de “Gooooooooollllll!”, urros de “Uuuuuuuuuuu!”, cânticos de “Curíntcha!”, arrotos e rojões parecem explodir aqui dentro do apartamento e fermentam fantasias de suicídio ou homicídio.

Saio da loja bacana de bebidas e vejo caído na calçada, como em tantas tardes, Marcos, um mendigo que ronda a região. A roupa rasgada revela costelas, um xilofone sujo. O Speyside malt espreita – mau, caro e perfeito – de dentro da sacola de celofane e me dá um pouco de ódio de mim mesmo.

Mas.

Hoje cedo, no meio da megalópole, em plena Paulicéia, um carcará me encarava da beirada da jardineira.

E.

Proclamam os túneis de celofane no corredor do supermercado: vem chegando o dia internacional do chocólatra, quando as criancinhas celebram rituais esquecidos e mantêm viva uma velha deusa.

No fim, vai dar tudo certo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Só você, Allan. Perfeito!!!

Lúcia G.