16 de nov de 2009

Terra Arrasada

Bateste em franca retirada.
Te ocultaste além do horizonte,
mulher que outrora chamei “Amada”.
E quem saberá dizer onde, e quão longe,
fica a muralha que te esconde?
A cama que foi nossa um dia
– e, por mim, ainda seria –
é o leito de um rio morto
(antes água, hoje lodo).
Entre uma margem e outra,
sumidouro, atoleiro, fosso:
queimaste a última ponte,
não resta vau, nem passagem,
e nem mesmo o próprio Caronte
se atreveria a fazer tal viagem.
Da minha margem diviso a tua,
que por léguas ao fundo e ao largo
fizeste estéril, calcinada e nua,
como quem dissesse, “Delenda Cartago”.

3 comentários:

FláPerez (BláBlá) disse...

teria que ser triste, mas ri (francamente, depois amargamente)da ironia e sarcasmo do tratamento TU.
tapa.

Adriana Alves disse...

belos versos, gostei ! bjo !

Heloisa Galves disse...

Essa realmente é arrebatadora!!!