2 de ago de 2010

Trajeto

Parto do alto.
Paro atrás da orelha esquerda,
onde se concentra, intenso,
algum truque olfativo de Kenzo.

Toco a nuca, onde o cabelo
gradualmente se transforma
na penugem fina
que te desce clara pelas costas;
na penugem que se eriça
quando explora minha língua
cada vão da tua espinha.

Olho pra cima
ao som de um gemido teu.
Por um segundo assim me distraio
(por cima do ombro direito
tu me olhas de soslaio).
Acolho nas mãos os teus seios,
de novo enceto a jornada
a um destino certo — tu —
em que me perco e perco meu norte

a caminho do teu sul.

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